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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Paródia

Escute aqui você
Que me iludiu
Me fez suspirar
E depois partiu

O que era meu
Abri mão por ti
Deixei macular
Tudo de melhor
Que um dia senti

Não se vá assim
Sem se importar
Em provar meu mel
A te desejar

A paixão brotou
Com ferocidade
E o meu coração
Se encheu então
De necessidade

E o seu cheiro, o vento ainda traz
O seu olhar, me encharca e me desfaz

Mas o que se fez, não se vai assim
O que me esquentou, hoje se tornou uma coisa ruim

E agora me diz
O que eu faço aqui
Com esse carinho
Que eu criei por ti

Eu me empolguei
E por vaidade
Mas agora sou
Um ego sem amor
E sem fidelidade

Mas o seu cheiro, o vento ainda traz
O seu olhar, me encharca e me desfaz

Mas o que se fez, não se vai assim
O que me esquentou, hoje se tornou uma coisa ruim


domingo, 3 de novembro de 2013

Amor não falta
Desculpa também não
Se a gente não pode
A gente ajeita
e o jeito do mundo
fica pequeno pra nós

A falta não falta
Amor também não
Se o mundo separa
E dá uma volta
Nós damos um jeito
e o jeito do mundo
fica pequeno pra nós

Obituário

Obituário:  Encontrado morto o senhorito José da Silva.

Numa esquina dessas quaisquer,
repousava sem paz o senhorito José.
Com chapéu na cabeça e buraco no peito
Na verdade, José, já havia desfeito
o nó cego de seu coração
antes mesmo de haver aquela confusão.

Dias atrás andava apressado
Suor no cabelo, cadarço folgado
Levava na mão uma flor de papel
A flor que escreveu seu destino cruel.

José por Maria apaixonou-se
E todos os dias, um doce lhe trouxe.
Maria da janela esperava o rapaz
Não sabia ao certo se ele viria mais.
Batia o coração em ritmo de esperança...
Surgia José! E começava a dança.
Ele olhava daqui, ela olhava de lá
Um sorriso no canto da boca a raiar
Quando a moça avermelhava de tanta vergonha
Deixava a cabeça de José em parafuuusos...
O moço recompunha-se ligeiramente
Mas no próximo instante tornava a sorrir
A sua moça mais bela teria logo que partir.
Quando se aproximava, baixava o olhar
Discrição, José, tente se acalmar.
Ele parou em frente a janela
E olhou nos olhos da sua donzela.
Tirou do bolso o tal do docinho
E Entregou a Maria com todo carinho
Que recebeu o bombom e guardou no avental
O encontro desmarcado acabava afinal.

A conversa muda do mundo escondiam
Mas encontravam-se assim sempre que podiam.
O peito de José acalentava-se em dor
Quando não podia encontrar seu amor.

José amava Maria que era esposa de João
João amava Maria, mas era um vilão.
Maria sofria o pão do diabo
João maltrava Maria.
Era um homem descontrolado.
A noite, em casa, mal lhe olhava
Maria pra João era só uma escrava.
“Estou cansado. Traga minha comida!”
E o suor de Maria inundava sua vida.
Nem um sorriso, ou mesmo um obrigada.
João só esbravejava.
E quando a vida dos trilhos saía
João, sem hesitar, maltratava Maria.
Um dia João derrubou um copo
Como se culpa da esposa fosse,
Pegou Maria pelos cabelos
Arrastou até o copo quebrado
E jogando-a no chão disse muito zangado:
“Quem manda deixar tudo espalhado pela casa,
Vadia, desleixada, não presta pra nada!”
Maria chorava, que mais podia fazer?
Tinha medo do mal que poderia sofrer.

No outro dia, na janela, José olhou pra Maria
E naqueles olhinhos não viu nenhuma alegria.
Ele sentiu no fundo do seu coração
A tristeza da amada rasgara-lhe do céu ao chão.

E aí José escreveu um bilhete
E embrulhou no bombom aquele lembrete
“Minha doce e querida Maria,
Não te ver na janela é perder o meu dia
Por favor, senhora dos meus pensamentos
Não me deixe passar sem sentir os teus ventos
A brisa suave que emana teu cheiro
Que pra meu viver serve de tempeiro!
Atenção, Maria do meu coração.
Dar-lhe-ei um sinal pra largar do João.
Quando estiver tudo pronto, levarei uma flor
Será um símbolo eterno do meu amor.
No outro dia, às 6, na estação de espero
Leve só uma roupa simples sem muito esmero.
Minha maior alegria é te tirar desse inferno
Acabar de uma vez com esse triste inverno
Correr livre e abraçar tudo que nos espera:
No jardim da nossa vida florescerá a primavera!”

Maria sorrindo beijou o recado
Porém sabia que guardá-lo seria um pecado.
Mas as palavras de João eram de uma formosura
Que só de olhar ela se enchia de ternura
Com todo cuidado, a cartinha, ela guardou
E para que João não encontrasse, Maria rezou
Mas não teve jeito...
O famigerado perdeu uma nota, uma coisa sem valor
E ao procurar, adivinha o que achou.
O corpo dele queimou num calor de fúria
Sua boca cerrada encheu-se de injúrias
Mas então deixou sua esperteza falar
E calou qualquer reação sem pensar.
João ficou de olho nos encontros de Maria
E a cada sorriso da dama, de ódio seu corpo tremia.

Um dia, de longe, ele avistou José

Flor na mão
Suor na testa
Sorriso no rosto
O nosso mocinho corria atrás da liberdade
Avistou de longe a janela da felicidade
Maria notou o presente do amado
Não era bombom,
O dia havia chegado!!
Respirou fundo, sorriu e olhou pro rapaz
Seu peito se enchia de ansiedade e paz.
Nesse dia, José não conteve a palavra
Sem medo, o senhorito, sussurrou pra amada:
“Maria, eu te amo...”
Aaah, voz mais linda não havera de ter
Maria nem conseguia se conter.
Recebeu a flor, segurou a mão
Na hora do toque, quase que o peito furava das batidas do coração!
Beijou uma, depois beijou a outra.
Depois José seguiu seu caminho
A fuga toda estava aprontada
Era só espera pra cair nos braços da amada.

Ao ver aquela cena
João sorriu com pena
E a alma carregada de ironia.
Foi atrás José
Quando ele entrou em casa,
João entrou atrás
E surpreendeu o distraído rapaz.
“Sabe quem eu sou e o que estou aqui”
Disse João cruel a sorrir.
“Maria não merece essa vid...”

A última letra foi engolida pelo murro que despontara João na barriga de José. Sem ar, o homem caiu ao chão, totalmente sem reação. Mais alguns chutes e estava desacordado. João levou José até uma esquina sombria ao lado. Amarrou suas mãos e seus pés e esperou que ele acordasse... José acordou. Iniciava-se ali o maior pesadelo de sua vida. João, com uma faca meio cega, abriu o peito do nosso mocinho sem deixar que a lâmina chegasse ao coração, com um golpe, abriu suas costelas e lá estava o órgão do amor a bater. Me recuso a descrever a dor de José que, apesar de tudo, sentia mais dor pensando no que seria de Maria.
De sua doce Maria.
José morria e seria deixado ali... O monstro arrancou fora seu coração e guardou numa caixa de madeira. Voltou para casa após se limpar e apenas dormiu. Maria tinha um mau pressentimento. Mas arrumou a roupa pouca na bolsa e esperou que a noite, dia virasse, e a hora marcada chegasse. Ela levantou num pulo e quando João percebeu também despertou. Banhou-se, perfumou-se... Prendera uma linda flor de papel que ganhara no dia anterior no cabelo. Quando abrisse a porta, seria primavera e tudo estaria bem. Mas ao sair do quarto, o marido já estava a mesa, caprichosamente deixada posta por ela mesma na noite anterior.
– Sente! – ordenou João.
Maria sentou-se. Notou uma bandeja em seu lugar na mesa. Que João gentilmente destampou. O cheiro de podridão encheu a atmosfera. O órgão não mais tão vermelho estava frio, imóvel e teso em sua frente. Sem saber do que se tratava, Maria, com muito medo, gaguejou:
– O q-que signiff-fica isso, João? – Uma lágrima já rolava em seu rosto. João sorriu e respondeu:
– Você não queria o amor de José? Pois te dou o coração dele numa bandeja. – e, com a mesma frieza que falou, estendeu a xícara até o bule e começou a preparar seu café.
Maria levantou-se enojada e ainda não entendia direito a situação, mas um grande desespero já crescia dentro de si. Lágrimas caíam de seus olhos, mas o silêncio reinou naquela casa. Ouviam-se apenas os passos de Maria Caminhando até a porta. Colocou o pé na rua, caminhou, rumo a estação. 

Virou numa dessas esquinas quaisquer,
E morto, no chão, ela viu José.

Os gritos da dama foram ouvidos a quarteirões dali. Ela o abraçou e beijou sua boca. Seu pranto poderia encher aquele buraco no peito do rapaz. As pessoas não conseguiram virar a esquina. A dor de Maria era tão grande e seus gritos tão intensos que criou um tipo de barreira. As pessoas não chegavam perto pois podiam, de longe, sentir a dor da mulher. O socorro chegou, mas não tinha o que socorrer, também os profissionais respeitaram aquela tristeza.
O espetáculo de dor que se dava naquela dessas esquinas quaisquer durou o tempo certo da morte da mulher. À medida que seus gritos calavam-se, seu coração batia mais devagar.  Quando sobrou apenas uma batida, ouviu-se um último gemido. Quem estava ali conta que aquele gemido apesar de mais fraco foi o mais forte. Misturava dor, tortura, amor, decepção, desejo e todos os sentimentos que se possa carregar. Os poucos espectadores que restaram e presenciaram o gemido, gemeram junto a nossa dama.

Estava morto
Morto enfim.
Naquele dia
Um amor de 4 palavras e 2 beijos inundava o universo
As 4 palavras mais sinceras pairavam sobre o silêncio
Nunca mais viveria
Morto enfim.
O prazer daqueles beijos inocentes emolduravam os planos
Que nunca se realizaram
Nunca mais a veria!
Nunca mais o veria!
Nunca viveria
Morto
e fim...

Obituário: Morre hoje senhorita Maria
Dizem todos que morreu de agonia
Deitada sobre o peito daquele que amava
Até a morte, Maria chorava
A mulher não aguentou tanta dor
Sem dúvida nenhuma morreu foi de amor

E então numa dessas esquinas quaisquer

Jazia Maria amando José...

domingo, 15 de setembro de 2013

oração de 19

Papai do céu,
com minhas 19 bocas iguais
rogo aos 19 anjos mais tortos
que peçam a ti
pra tecer 19 mil bênçãos
sobre mim e sobre nós
que aceite cada um dos
meus 19 milhões de erros
e me ajude a repará-los
arrepender-me
peço aos meus 19 amigos
que peçam aos seus 19 amigos
para pediram a outros 19
para amar só 19 pessoas...
perdoar apenas 19 vezes
arrepender-se outras 19.
Ou ao menos tentar, ou
se não conseguir: amar.
amar e amar e amar
só 19 vezes...
ou só 9,
ou só 1.
Ao próximo, ele merece ser amado
agradeço a deus pelos 19
mas não peço mais 9 anos,
nem mesmo mais 1 que seja...
Só peço a Deus amor
pra mim e para o mundo.
Que Deus nos dê muita saúde e paz
e que os anjos (ao lerem isso)
digam amém.
Por favor, Amem!
Amém.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Hipócrita.

uau
li liquidez
e fui liquidado

li que
já tinha lido
mudei o foco falado

vivo
num mundo
fechado

não vi
quem estava
do meu lado

falei de amor
e esqueci
de amar

gritei na rua
e esqueci
de mudar

dormi na cama
e esqueci
de lembrar

comi
era gostoso.
para quem?

estava frio
duas cobertas
só pra mim

decidi
fazer minha parte

não enxergo
quem está do meu lado

nasci cavalo de tapa
sofri pelo amor que não recebi
olhei só pra frente e nem percebi

queria mudar o mundo
mal consegui mudar minha vida

só 19
só 20
só 21
só 22
.
.
.

só a vida que pedi a deus
quanto individualismo

me agustia não fazer nada
mas mal consigo me mexer

é um sentimento hipócrita

é um sentimento hipócrita

hipócrita

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Perdi a graça e a cor. Joguei com minha carta mais alta e agora não tenho mais nada para tirar da manga. Joguei... Joguei um jogo, um duelo de titãs. "Vocês dois sabem jogar muito bem". Sabemos, cada um com suas armas. Mas dessa vez eu me privei da minha lógica e da minha racionalidade. Dessa vez eu me deixei levar pelo desejo. Dessa vez eu não enxerguei a estrada além do que se vê. Eu errei. Errei feio quando decidir transformar isso num jogo. Errei quando lustrei minhas armas e reuni munições sem ao menos notar do que era feito o adversário. Eu me deixei levar. Preparei uma grande bomba de efeito moral, regada no vinho mais imoral possível e lancei... Você a segurou com ambas as mãos, caminhou até mim, me molhou de das imoralidades, me pegou pelos meus braços, e perguntou "E o que acontece?". Sabe aqueles olhos irônicos e ansiosos por uma resposta? Você os tinha sobre mim. Eu estava sem palavras. O que eu iria dizer? "Agora é a hora que você me beija e vivemos felizes para sempre"? Não seria eu... Eu tinha que ser durona. Eu tinha que deixar você se pronunciar. Não me bastava sentir que você queria, eu tinha que ouvir da sua boca. Então eu soltei um belo "O que?" esperando ouvir algo animador, mas acabei por ouvir um "Não sei..." Nada aconteceu. Continuei tentando. Queria ver a falta. Queria me sentir buscada. Queria ver meu celular tocar, as 2 da manhã, com você do outro lado pedindo pra eu não ir. Eu me fiz perder, para que você me encontrasse. Mas perdida eu estava e perdida eu fiquei. As vezes tenho a impressão de que me deixas perdida por parecer que é assim que eu quero estar. Mas eu não quero.
Não tenho mais como impressionar você. Já mostrei meus sentimentos de um jeito tão forte. Eu mexi com você, admita que sim. Mas nada do que eu fizer agora será tão chocante como aquilo. Eu preciso de inspiração. E já tenho uma ideia em mente.

terça-feira, 25 de junho de 2013

- Oi...
- Oi.
- Está frio hoje.
- É.
- Todo dia está, mas hoje parece estar pior...
- Hum... Convite?
- Só se você for aceitar.
- Vai me acostelar?
- Vamos nos esquentar.
- Preciso acordar cedo. Preciso dormir a noite inteira.
- Faremos isso...
- Então me espera.
- Eu sempre te espero.
...
- Porque não nos tocamos?
- Não sei.
- Já percebeu que depois do primeiro toque, a gente cola?
- Cola?
- Não pára mais. Eu toco em você, você toca em mim... Abraços, beijos, carinhos, lambidas, até você penetrar meu corpo totalmente.
- Aí, você fica mole, pesada...
- Aí, eu fico vazia. Cheia da certeza de que por hoje acabou. Cheia da certeza de que em minutos vou fechar os olhos e quando eu abrir novamente, você terá que ir.
- Hum...
...
- Foi uma recaída. Está sendo.
- Uma recaída? Uma deliciosa recaída. Que possamos recair mais vezes.
- Não tem a ver com prazer. Só dor mesmo.
- Dor? Foi ruim?
- Não. Nunca é. E você sabe, eu até gosto da dor.
- O que então?
- É a dor de dentro. A dor que dói no nada.
- Hum...
- É tudo em vão. Eu sei que é. Cada orgasmo é nada mais que um desperdício de vida.
- Hum... Ter um orgasmo é um desperdício de vida?
- Realmente, ter um orgasmo é bom. Isso é diferente, é como construir uma casa que ninguém vai usar. Você passa meses fazendo uma fundação, levantando paredes, pintando e bordando. Depois de linda e incrivelmente pronta, tudo que vai acontecer é o tempo passar. A nossa função só tem um ponto crítico e ele é máximo e já foi atingido. Agora a casa vai gastar e desgastar até virar ruína, poeira e espaço mal ocupado.
- Hum... Está frio.
- Já me acostumei.